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"Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré
Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea"
Leila Pinheiro - Catavento e Girassol (trecho)
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Há uma ilha dentro de mim.
Aos poucos percebo a difícil tarefa de navegar por este mar.
O simples fato de sair para fora de mim, intriga e afronta.
Há manhãs nesta vizinhança exterior que começam o dia com cores que não conheço.
Há notas musicais que não me fazem ouvir, apenas calar.
Há menos água do que eu pudesse imaginar...
Estar ilhado entre o que há em mim e o que não há para estar em mim...
Esta é a minha condição. A minha própria contradição.
Convencido pela eternidade de que cada passo é capaz.
Superado pelo próprio caminho a ser seguido.
Ávido pelo que há... pelo porvir...
Quero criar uma nota musical, para tocar um coração
Quero pintar um novo amor, com cores de renovação
Quero calor para abrandar, o frio de qualquer decepção
Naufragar por alguns dias fora de mim e tentar perceber o real significado das terras que cultivo por aqui
Evitando tornar qualquer latifúndio em mata atlântica,
com o cuidado de quem entende a diferença do que é bom e da bonança.
Quero conhecer melhor sobre as crianças.
E sobre o exagero que é amar, a piada que é a paixão. O fascínio de uma ilusão...
A verdade que há no perdão, ainda que, não precise perdoar.
Há escombros no meu futuro recente que irão cair para um passado distante.
Em meio a esta transgressão constante, encontrar uma saudade em sua construção...
Contudo, percebo o que vieste procurar aqui.
O que fará desta ilha o seu continente.
Procuras o acaso.
O imprevisível de qualquer manhã de domingo, de um outono com vinho.
por mim