quinta-feira, 28 de junho de 2007

Enquanto chuva, verão ou lua...Sonhar




**
"é uma índia com colar
a tarde linda que não quer se pôr
dançam as ilhas sobre o mar
(...)
atrás do Filho vem o Pai e o Avô"
**




O meu olhar é lúcido.
Mesmo quando olho para o céu e
percebo-me louco ou insignificante.
Estou sempre a dois passos de descobrir
o tudo ou o nada que há em mim.
Penso em quantos azuis cabem no céu
e se eu poderia um dia pintá-los de verde ou amarelo.
Talvez eu pudesse fazer inveja ao sol ou às folhas
E Logo recuo dois passos, desta vez mais tímido e
percebo-me vão.


Quando chove, meus sentimentos renascem de cor.
Relembro os chãos por onde pisei com meus dedos molhados
por aqueles sonhos encharcados de juventude e pressa.
Sinto saudades da minha infância e procuro entender melhor o tempo.
Mas pretendo entendê-lo não para ser Doutor.
Quero entender o tempo como um dia o palhaço ensinou:
"Se não aproveitar ele pode parar, então eu faço rir"
Tamanha a importância que eu não dei para esse momento.
Momento que nem existiu.


Agora chove e restam as perguntas que eu gostaria de responder.
Que não caberiam na minha imensa vontade de conhecer o mundo e ser apresentado a ele.
Não como alguns me conhecem, mas como um dia eu me apresentei.
Quando tive domínio do tempo, eu parei.
E me vi dominado por ele.
Perdendo a oportunidade de responder ao mundo o que eu gostaria de perguntá-lo...


As estrelas me parecem reais, e são.
Mesmo quando não brilham nas noites que nublam a vida.
E talvez não sejam quando brilham a noite de tudo que não possa ser vida.
Enquanto as observo fico pensando no sol e nas nuvens
E logo nas noites de lua cheia que ofuscam seus brios.
Acabo convicto da natureza e também das estrelas.
Como se não fossem a mesma coisa.
Se não tens certeza, a maré pode provar
As vezes cheias da noite
As vezes vazias do dia
E as estrelas continuam por lá...


Êta sentimento confuso
Mas encantadoramente atraente
Poderia sem dúvidas enamorá-lo
Seria mais gostoso se pudesse compartilhar
Das desventuras da solidão ao lado dela
Certamente, seria excitante tê-la na recíproca
Raramente existente


Descobri que posso por horas sorrir
e por horas chorar, não importa, uma hora acaba
É diferente da brisa que vem do mar
Os seus cabelos sabem disso
Podem até procurar
Pois estão certos de que irão encontrar
"Tristeza não tem fim, felicidade sim"
Eu não concordo. Apesar de vazio de argumentos


Já posso sonhar, o encanto passou e o medo diminuiu
E já que eu posso realizar se sonhar...
Não será pecado o sonho que se viu impossível
enquanto acredito no sopro do vento,
enquanto observo a onda do mar
levar pro lado de lá e depois retornar


Sinto um cheiro molhado e posso ouvir o canto das flores
E percebo que é singela a felicidade


por mim

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A Pêra



**
Nokia N73 - Sinal Fechado... Hora de apreciar
o nosso candidato a ser uma das
7 novas maravilhas do mundo


"- Sabe, a pêra ... Não conhece o sabor de pêra ?
- Não sei como a pêra lhe sabe a si.
-
É doce... sumarenta... e macia na língua,
granulada como uma areia doce que se dissolve na boca
."

- Cidade dos Anjos -

**


Como seus quase sempre seios, que amiúde anseio
Contornando ou retornando algo como meu desejo

Sinto por fora a nuance encantada, alvorada a surgir
por dentro de uma quase doce fruta, incitado a fugir

Provo de um paradoxo que devoro em querer
Um labirinto macio e suculento, provocante, excitante
Das deliciosas curvas que só o toque é capaz de saber
O gosto amargo, com sabor do mais sublime céu, errante

Tenho uma pêra em minhas mãos...
Tenho em tua fome o meu perdão

E ao devorá-la, degusto o prazer de sentir e viver

Como no pecado inicial

Como o orgasmo que sinto no escorrer desse suco

Por entre os meus dentes que mordem

Por, quase, entre a deusa do meu paladar

Que aquece e umedece os grãos integrados nessa fruta de prazer


por mim,
faz tempo

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Cicerone




**
Nokia N73 - 3.2Mega Pixels por trás das lentes da Carl Zeiss
ai ai ai =)
Vamos deixar isso aqui mais caliente...
**


Enquanto dispo-me de pudores
Em teu seio incendeia o ardor
Consumindo-me as belas frases
Ora devassas, ora amor

Cicerone dos dédalos do prazer
Lascivos e lúdicos na boca
Delicados e carentes ao descer

Pelos corpos de fogo e ninhos
Repletos de frios a tiritar
Queimados, exaustos, "sozinhos"
Mas ávidos por recomeçar


por mim

O medo é a companhia mais atraente na vida...



**
Céu Vermelho assim eu nunca vi não.
Desta vez, créditos para a Sony V1
Aqui do terraço de casa

" Tornar o amor real é expulsá-lo de você
para que ele possa ser de alguém "

Ouvi dizer hoje que o Nando Reis é profundo conhecedor da alma feminina
Um dia eu chego lá, hahaha
**



Há um milhão de idéias em um segundo quase quadrado
O tempo supera a vida

Tão eterno quanto o olhar de meus passos a distar do que penso
O medo quase não sente

Que agora é hora de nascer o que não havia morrido, não vivo
Lá estava, estava lá, quase lá

Quantos agora fantasiam sonhos e supõem o paraíso?
Quantos derrotados, ou frutos do que não tentaram?

A alegria molha o meu olhar com esperança para sonhar


por mim

sábado, 23 de junho de 2007

Grandes garotas choram!!!



**
Nokia N73 mostrando do que é capaz =)


"Big girls don't cry"?
Desde quando hein ? hahaha

"A round trip journey in your head
master of illusion, can you realize
your dream's alive, you can be the guide but..."

**


Ainda não provei desse deletério na vida
Todas as grandes garotas que conheci choravam
Aliás, elas ainda choram
Os grandes homens também!
E caso procurem se achar,
há de ainda haver um sorriso ao chorar

Renascer na água mais pura que podemos oferecer
Sorrir ao sol se pondo enquanto escorre chuva de dentro
Esgotar a angústia de estar preso na própria garganta
Alegrar-se duplamente enquanto a felicidade transborda
em pequenas gotas de bonança,
e ser o céu e a foz desta esperança

Olhar o velho mais moço desta vez,
e aproveitar cada segundo ao lado do amor,
que alguém um dia emprestou no espaço vitalício
que no tempo há de caber

Deitar-se na areia e inclinar os pensamentos ao luar
Falar baixinho ao pé do ouvido da maré retornando,
enchendo de vida aquela doce energia que emana de lá,
esperando que lhe respondam sobre o anel de saturno,
ou sobre o gelo polar, o começo dos mundos,
ou como irá acabar...

Enquanto chorar, poderemos recomeçar de verdade
Sem carregar alguns sentimentos mais pesados
Apenas o velho novo brilho do olhar

Enquanto chorar, poderemos ter verdades no olhar
Enquanto choro, ainda posso acreditar
No amor!

O amor há de redescobrir todos os segredos
Sem o véu imperfeito, mesmo que refeito,
nessa loucura de continuar, sempre em paz

Por mais que o menos possa somar ao azar
Temos na sorte uma infinita probabilidade
De tornar toda tempestade um copo d'água
Embebedar-se e multiplicar hidrogênios
Quase transformando nosso pequeno grande corpo
Numa unanimidade molhada e segura

E no fim... voltar a chorar
Pra ter na certeza,
o incerto da vida,
uma desventura pro azar

Respirar, tentar denovo,
e ser feliz enquanto chora,
porque em dois,
ainda pode-se somar

Rearrumar nas entrelinhas os motivos,
os sentidos, e abdicar de algo

Surgir um novo papel pintado
com palavras de amor
com a leveza das flores
e rumar até o fim dar uma volta
retornando ao começo inicial
inércia pra fugir do que não somos
levando um choro e um riso ao final


por mim

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Os melhores momentos


**
Mais uma da série: O fenômeno Nokia N73
"... já rodei o mundo e nunca pude encontrar,
lugar melhor pro vagabundo,
do que o Rio à beira mar ..."
**

Lacônico ou infinito ?
Ou exclusivo ?

Não!
Assim eles são... Os momentos mais adoráveis,
aqueles momentos palpáveis, que dão norte pra vida

São infinitos, eternos, são imortais... Mas paradoxalmente, eles acabam de forma efêmera!
Como explicar? Não sei. Por isso fujo disso. Aqui expresso apenas o que sei,
que na verdade não sei... mas tento explicar. Será que tem intenção nisso ?

Alguma terceira intenção ? Poço pro absurdo, para o improvável ?
O real é que eles acabam... Como água de poço. Parece sonho...
Talvez assim seja por dentro, como sentimento amiúde
Ou talvez assim seja por fora, como aparência monótona
Um plágio meio falsificado do que era bom,
pra tentar ver no luar o meu refrão


Sorrisos são garimpados e até nestes momentos, alguns são desperdiçados
Mas somos felizes! A felicidade não encontrada em todos os outros... momentos
E como diferenciá-los ?
Não faz diferença... A sua vida foi mais divertida ontem ou amanhã ?
Tens a sensibilidade aguçada a ponto de tocá-los com exatidão para buscar chão, outrora ?
Tens bola de cristal por acaso, ou o medo é um sentimento alheio à sua existência ?

Simplifique... apenas seja simples!
Os melhores momentos da vida passarão, a vida passará...

Talvez estas falsas letras passem, talvez a intenção acabe

Mas os melhores momentos da vida invocaram em nosso coração aquilo que não passará.
Lembre e relembre os bons momentos da vida!
Viva e reviva este sentimento!

Mas lembre-se, a sua vida não se resume nesta poesia emprestada
A chuva virá e às vezes é forte demais a ponto do inevitável, se molhar!
Compreenda que há sóis e chuvas na vida!

As derrotas são inevitáveis...
As vitórias, insuperáveis!!!!!!!!!!

Apenas corra mais devagar amanhã, repare no canto do passarinho...
e fique olhando pro nada

Você poderá até se surpreender...

Só não é certeza!

por mim

terça-feira, 19 de junho de 2007

São só palavras


**
Princesinha do mar - Foto pelo Nokia N73
"Cariocas não gostam de sinal fechado"
Então tiramos foto quando o sinal fecha
OBS: Dispenso comentários anônimos!
**


A decepção é mera companhia na vida
Um dia ela te encontra e vai te levar
onde você não quer ir conhecer

Você vai se guardar até ela chegar
justamente na hora errada,
no silêncio... ela vai te gritar
Não há proteção, o medo é só ocasião

Uma hora o fogo vai arder adorável anfitrião
E você vai se queimar, não adianta chover
não adianta chorar
Você não vai conseguir ver,
nem se proteger, ela vai te balançar

Uma hora ela vai te levar
Pra lá, além do que se pode imaginar
Mas volta logo, que o verão já vai chegar

Há alternativas e um tempero bom
157 pequeninas unidades para te reconquistar
Uma delas poderá colar as partes perdidas
juntar os sonhos vencidos
e os reavaliar

Há olhos verdadeiros a te observar no olhar
Há cabelos sedosos a te acompanhar
Há ainda uma voz macia a te seduzir
Há um passarinho azul a cantarolar
Que deve ser o fim para recomeçar

"você nunca fica assim,
sem você o Rio de Janeiro,
vai parecer solteiro de alegria.
me beija! sem essa de dor
que o seu sorriso é encantador"

olha a fotografia do amigo,
há por lá um sorriso mais confiável,
acima ou abaixo do tempo que deixou
o triste verificar que o acaso errou,
e nessa vida só existe um, doutor:
um chama tempo e o outro se diz amor

Boa sorte! Quero rumar o barco à vela
Deixar queimar, alçar ancora em frente ao mar
Escorrendo a cera no cais da ribeira
Que encanta a poesia do algo mais

Vamos traduzir nas entrelinhas
Para as cabrochas dessa ala
Sentir o tom, sambar refrão
Suar no amor e pedir bis
Tantas quantas forem, em nós dois
Escorrendo essa lascívia aurora
Nessa hora... Nessa passada...
São só palavras

por mim

domingo, 17 de junho de 2007

Haverá um Hiato e um Heterônimo



Estarei mudando de cidade agora,
Vou povoar o vazio que habita o hiato que ainda há dentro de mim
Trocarei de sonhos por uma noite,
Na tentativa de enxergar mais verdades no escuro,
muito além do que se pode escurecer

Chegarei ao meio dia, tocarei algumas vezes a campanhia
Darei o repique final e um belo tom ao samba
Pintarei o céu com alguma tinta lunar

Parecerá um eclipse em meu coração
E talvez por alguns poucos segundos, só haverão estrelas por lá

Nesse meio dia incompleto, ausente por mim, perdurará ventura
Ainda que faltem apenas 12 horas...

A decisão é minha, a sugestão: é nossa... e o mundo há de contrariar
Porque de nós, ou seja, dos dois "eus" que habitam fora de mim...
O que será que restou? (Do vácuo dar-se-á um novo sonho para sonhar)
Agora, não há vazio para preencher todo o esqueleto dessa decisão

Vamos seguir em frente, avesso ao caminho escolhido
Tornando essa ruelazinha mais à frente um profuso destino
Teremos de nos conhecer melhor agora, faremos jus aos elogios também
Enxergaremos até os sons mais vazios que hão de gritar
Apalperamos vinhos e água em uma perfeita sintonia singular
A pluraridade não vive acompanhada do lado de lá

Experimentarei sozinho um pouco de mim quando isso passar
Farei quatro ou cinco afazeres e levarei comigo um único conselho seu(meu?)
Pescarei algumas dores e elas retornarão ao seu devido lugar
Mergulharei no céu dessa vez, pra provar da liberadade que eu posso libertar
Seja por um apenas, seja por dois

Vamos, venha cantar comigo ao sol, ao mar...
Que ainda resta amor e um dia me ensinaram que amor foi feito amar

Há crianças sorrindo, há natureza, há de haver caminhos
Olha pelas notas musicais desse carinho que faltou
Deixa a sintonia nos levar

Não haverá jamais perfeição ainda que eu mude de país
Ainda que eu mude de mim
Nao haverá nem imperfeição
Ainda que eu mude de você
Mas se eu não sou a mim nem a você, quem eu ainda sou?

Não há quase nada nessa cidade
Não há quase nada nessa verdade
Mas tudo vai voltar pro seu devido lugar
Vai ter sapo virando príncipe
Cavalos e coices nesse habite-se falsificado
Que deram pra comprovar essa fortaleza construida com estruturas berrantes
Por pouco, ainda não foi, por muito pouco, quase dessa vez

Essa veia nasceu de quem? Oh literatura forasteira!
Me contes, só a mim e depois, talvez agora fora rasteira demais,
Mas conte-me, de onde surgiu assim em mim ?
Fostes escolhida, apenas para contribuir... assim ?

Provei de uma dose desmedida de mim mesmo
Foi errante, foi gritante
O meu medo fez parte da porta que não se abre jamais
Conheci a mim, menos, em menos de 1 segundo
Olhei em volta, fotografias e espelhos
Reconheci-me, e me conheci como nunca antes apresentado
Fui buscar em mim a passarela que levará até à aquarela
Esgotei toda memória de um futuro subjuntivo

E das outras 12 horas, já se passam da meia noite
Há cavalos e coices
Carroagens, princesas e alguns lugares para se ir
A aventura é estrangeira
O sentimento também
Mais há, do que ser, do mesmo verbo haver
Pertencendo ao circo denovo, vou me abrindo

Olha o palhaço e a graça que falta pra sorrir
- Não falta nada pra sorrir meu caro,
falta-te apenas a ti!

- Medo meu caro?
- Seja você mais um abençoado por esse abismo...

Borboletas na termometria para saltar um obstáculo
Trampolim para entrar no trem
Volta vai! Que o Rio de Janeiro fica mais bonito com você
Olha que respeitável público.
Todos aqui são um pequenino sonho tão
Eu estava aqui oh tempo... todo o tempo. Chama amor o amor!

Agora aqui nessa calçada existem duas perfeições abstratas.
É o tempo e o amor.
Os mesmos velhos poetas, com aquele clichê lúdico e ensurdecedor.

Vamos plagiar um sortilégio ao invés de mentir!
O tempo é implacável adorável doutor... implacável

Como tá quente aqui ilusão, seja lá quando for, tá quente aqui...
Quero agasalho pro frio, quero esquentar meu calor.

Vai ter memória para isso tudo vossa majestade?
O rei de mim foi até você apenas pra te conhecer
Foi sorrir pra mim, foi pra me tentar
Mas assim não conseguiu, e você agora sou eu!
Sempre fomos assim: eu, você... apenas eu

Quantos segundos ainda restam?
O tempo parou!
Mas e o que dizer do amor?
Foi-se a único , ainda que não fosse o único.
Quase do outro lado a sua metade foi me procurar
Encontrando 50% de mim por fora do lado de dentro.
Abdicando 50% de mim por dentro do lado de fora.
Encontrei-me novamente acompanhado por mim
Autêntico egocêntrico inveterado

(Que cidade estranha! De onde vem tanta perfeicão?
Quero de volta o meu lar,
convivia pacificamente com aquela longa ladainha
os vizinhos e os caminhos eu já tinha de cór
Mas se faltastes por aqui, volte no próximo outono!
Olor impreterivelmente advém de um préterito que eu não vou conseguir apagar
Vamos despertar palhaço, é hora do show!)

Há mais vicissitudes no amor do que na vida!
Ainda assim, eu vou além
A procurar o heterônimo que me restou
A minha canção ainda não acabou

por mim

domingo, 10 de junho de 2007

Apoteose



Cá estou, hoje e sempre, inalcançável, aquém de mim mesmo
Incógnito, incompto, ínclito

Órfão do ilapso do eu que trocou a alma por amor

Por assim dizer, apenas aquilo que não se pode atingir
Tal qual o infinito lexical não consegue conceber
E talvez nem o infinito que não se vê, esse célebre transcendental, mesmo valendo-se da metafísica e dos tantos outros infinitos que se possam perceber

Mas do que vale tudo isso sem a sua própria acepção ?
Se não há significado que o infinito possa concluir sobre o amor,
Será o amor, o próprio infinito ?
Ou será - amor - a felicidade de viver infinitamente de amor sem saber o que é o amor ?
Volto-me novamente para mim em busca de mim mesmo e só encontro amor
Com a realidade finita a que eu mesmo refuto, alheia à capacidade infinita que tenho de sonhar

(Quase pleno de sentimentos,
eu jazo, jaz aqui, o que não é amor
E mesmo se for, jaz também,
como num paradoxo involuntário adjazido em mim.
Aqui ? Onde ?)

Relembro, repenso, recrio e recolho-me a minha própria insignificância
Fazendo juízo de mim e de tudo, que também não significa nada.
Mas que certamente tem algumas poucas significâncias a mais ou a menos, tanto faz.
Tentanto esconder nessas entrelinhas o que eu não quero descobrir.
Ou quero, ou quis, ou que um dia ei de querer, ou não, mas quem sabe se já não descobri?

Meu coração agora é um descampado de sofrer e talvez assim, ele sempre o tenha sido

Afinal, o quê é o sofrer?

Senão a incapacidade de entender o amor...

Esse plebe afeto, inculto, indiscreto, escrito e reescrito pelos Deuses e por nós, de uma forma, de tantas formas, de forma nenhuma, senão o formato que ainda não lhe atribuiu a sua verdadeira forma.

É de Deus, dos Deuses do amor.
E eu, que já não sei do que se trata, continuo a não entender o amor, mesmo sem sofrer.
E se sofrer, continuarei eu e também o mundo, a não entendê-lo.

É por isso a poesia, eis que surge "sozinha" anuançar ao amor.
É por isso os versos, eis que surgem repletos para diversificar o amor.
É por isso a palavra, eis que surge tranquila pra ser criativa no amor.
É por isso estas letras, a palavra, os versos, a poesia, e toda a sua ausência em mim, mesmo que não seja assim.

Que é pr'eu me lembrar do amor.

E é por isso a dor e a solidão e o desagrado e o desespero e o desamor
Que é pra sarar
Que é pra sofrer
Que é pra viver
Que é pra aprender

Que não precisa entender o que for venturo pra ter ventura, pra crer no amor
Mesmo que ele não consiga criar sua própria forma ao espelho
Mesmo que os cegos - que não são cegos - não consigam vê-lo
Até mesmo pros que procuram ouvidos, mesmo que não compreendam o porvir...
Porque não ouviram os gritos de um dia sem amor, seja quem for

Porque finalmente o recomeço é do avesso e percebo,
que amor não precisa
Pra ser amor... apenas sê

Posto isto, lá estou, amanhã e nunca, quase perto agora, para ela, sempre ela!
Pois guardo consigo a Apoteose do meu amor

por mim,
23/01/2006

sábado, 9 de junho de 2007

O contra exemplo

Certamente eu sou o meu contra-exemplo. Se Bernardo Soares estivesse aqui, nesse momento, diria novamente:

"Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo"

Eu acrescentaria:

Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo, como de sentimentos que não posso concluir sem ti.

Algumas coisas não passam...
Sem dúvidas, uma delas é a dúvida!
(Que graça teria se isso fosse verdade?)

O mistério e o medo a tornam maior.

Não sei do que me defender: se do Rodrigo que sabe o que quer, ou do "ti" que eu não sei se sabe o que eu quero.
Se tento vem a dúvida... e se não tento, o medo.
Assim mesmo, um pouco invertido.

Afinal, se não houvesse essa inversão, qual seria a minha dúvida ?
De perder o que eu não tenho ?
Que nunca tive ?
Transcender o significado do verbo ter?
Justamente no amor ?
Ter encontrado algo ou coisa que não procurava, mas que era inerente à procura ?
(O que eu julgo ser algo, ou coisa ?)

Mas que diabos de dúvida existe nisso ?
Será o meu medo o de fracassar e com o fracasso amargar o sabor de simplesmente não poder provar ?
Será o meu medo o de exaurir, possivelmente, a única chance que teria de conquistá-la, sem tentar, ou mesmo tentando e não encontrando sucesso ?

Definitivamente, ou indefinidamente, eu estou escrevendo sem pensar muito e isso é novo ou velho demais para que eu possa recordar.
Não consigo julgar se isso é bom ou ruim.
Não faria muita diferença.
Talvez faça do meu coração um atleta, se exercitando sem parar.
Talvez isso seja velho demais e minha mente já esteja sedentária o bastante para recordar.

Eu, além de não saber do que devo me defender, não compreendo muito bem como o faria se porventura viesse a descobrir.
Afinal eu tenho lutado por isso (eu e o mundo inteiro) e deparar-me comigo mesmo assumindo o papel de vilão e o de mocinho ao mesmo tempo, não seria muito concebível, pelo menos para mim, agora.

Percebo ter lágrimas para enxugar que ainda não foram derramadas e talvez elas me faltem quando tiver de derramá-las.

por mim,
em: 13/04/2006